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Introdução ao 15º Livro bíblico:
Esdras
Escritor: Esdras
Lugar da Escrita: Jerusalém
Escrita Completada: c. 460 a.C.
Tema: Restauração de um Remanescente
Ao fim dos profetizados 70 anos da desolação
de Jerusalém sob Babilônia. É verdade que Babilônia
tinha a reputação de nunca soltar seus cativos, mas a palavra
de Deus se provaria mais forte do que o poderio de Babilônia. Estava
à vista a libertação do povo do Senhor. O templo de
Deus, que havia sido arrasado, seria reconstruído, e o altar de
Deus receberia de novo os sacrifícios de expiação.
Jerusalém conheceria outra vez o brado e o louvor do verdadeiro
adorador do Senhor Deus. Jeremias havia profetizado a duração
da desolação, e Isaías havia profetizado como se daria
a libertação dos cativos. Isaías até chamara
a Ciro, da Pérsia, de ‘o pastor do Senhor ’ que derrubaria a altiva
Babilônia de sua posição como terceira potência
mundial da história bíblica. Isa. 44:28; 45:1, 2; Jer.
25:12.
A calamidade sobreveio a Babilônia quando
o Rei Belsazar e seus grandes brindavam a seus deuses demoníacos.
Para aumentar sua devassidão pagã, usavam os vasos sagrados
do templo de Deus quais cálices da sua bebedeira! Quão apropriado
foi estar Ciro ali fora das muralhas de Babilônia naquela noite para
cumprir a profecia!
Em seu primeiro ano como governante de Babilônia,
Ciro “fez passar uma proclamação através de todo o
seu domínio real”, autorizando os judeus a subir a Jerusalém
para reconstruir a casa de Deus. Este decreto foi evidentemente emitido
em fins de 538 a.C., ou no início de 537 a.C.. Um fiel restante
viajou de volta a Jerusalém em tempo para estabelecer o altar e
oferecer os primeiros sacrifícios no “sétimo mês” (tisri,
que corresponde a setembro-outubro) do ano de 537 a.C. mês
que completava 70 anos desde a desolação de Judá e
Jerusalém por Nabucodonosor. Esd 1:1-3; 3:1-6.
Restauração! Isto fornece o cenário
de fundo do livro de Esdras. O emprego da primeira pessoa na narrativa,
do capítulo 7, versículo 27, até o fim do capítulo
9, mostra claramente que o escritor foi Esdras. Como “copista destro da
lei de Moisés” e homem de fé prática que “tinha preparado
seu coração para consultar a lei de Deus e para praticá-la,
e para ensinar”, Esdras estava bem qualificado para registrar esta história,
assim como havia registrado Crônicas. (Esd 7:6, 10) Visto que o livro
de Esdras é uma continuação de Crônicas, acredita-se
em geral que foi escrito na mesma época, por volta de 460 a.C..
Abrange 70 anos, desde o tempo em que os judeus se tornaram uma nação
rompida e dispersa, marcada como “os filhos da morte”, até se completar
o segundo templo e a purificação do sacerdócio após
o retorno de Esdras a Jerusalém. Esd 1:1; 7:7; 10:17; Sal.
102:20.
O nome hebraico Esdras significa “Ajuda; Auxílio”.
Os livros de Esdras e Neemias eram originalmente um só rolo. (Nee.
3:32) Mais tarde, os judeus dividiram este rolo e o chamaram de Primeiro
e Segundo Esdras. As modernas Bíblias hebraicas chamam os dois livros
de Esdras e Neemias, assim como outras Bíblias modernas. Parte do
livro de Esdras (4:8 a 6:18 e Esd. 7:12-26) foi escrita em aramaico e o
restante em hebraico, sendo Esdras versado em ambos os idiomas.
Hoje, a maioria dos estudiosos aceita a exatidão
do livro de Esdras. Quanto à canonicidade de Esdras, W. F. Albright
escreve em seu tratado The Bible After Twenty Years of Archaeology (A Bíblia
Depois de Vinte Anos de Arqueologia): “Os dados arqueológicos têm
assim demonstrado a originalidade substancial dos Livros de Jeremias e
de Ezequiel, de Esdras e de Neemias além de contestação;
têm confirmado o quadro tradicional dos eventos, bem como a ordem
deles.”
Embora o livro de Esdras não seja citado
ou mencionado diretamente pelos escritores das Escrituras Gregas Cristãs,
não há dúvida quanto ao seu lugar no cânon da
Bíblia. Leva o registro dos tratos de Deus com os judeus até
o tempo de se compilar o catálogo hebraico, obra esta realizada
principalmente por Esdras, segundo a tradição judaica. Outrossim,
o livro de Esdras vindica todas as profecias relativas à restauração,
provando assim ser parte integrante do registro divino, com o qual se harmoniza
também inteiramente. Além disso, honra a adoração
pura e santifica o grande nome do Senhor Deus.
CONTEÚDO DE ESDRAS
Um restante retorna (1:1-3:6). Sendo o espírito
de Ciro, rei da Pérsia, incitado por Deus, ele emite o decreto para
que os judeus retornem e construam a casa de Deus em Jerusalém.
Insta com os judeus que ficarem em Babilônia para que contribuam
liberalmente para o projeto, e toma providências para que os judeus
que retornam levem de volta os utensílios do templo original. Um
líder da tribo real de Judá, e descendente do Rei Davi, Zorobabel
(Sesbazar), é nomeado governador para conduzir os libertados, e
Jesua (Josué) é o sumo sacerdote. (Esd 1:8; 5:2; Zac. 3:1)
Um restante, que pode ter totalizado 200.000 servos fiéis de Deus,
incluindo homens, mulheres e crianças, fazem a longa viagem. No
sétimo mês, segundo o calendário judaico, estão
estabelecidos em suas cidades, e se reúnem em Jerusalém para
oferecer sacrifícios no local do altar do templo, e para celebrar
a Festividade das Barracas, no outono de 537 a.C.. Assim findam com precisão
os 70 anos de desolação!
A reconstrução do templo (3:7-6:22).
Reúnem-se os materiais, e, no segundo ano de seu retorno, lança-se
o alicerce do templo de Deus entre brados de alegria e o choro dos homens
idosos que tinham visto a casa anterior. Os povos vizinhos, adversários,
oferecem-se para ajudar na construção, dizendo que estão
buscando o mesmo Deus, mas o restante judeu recusa terminantemente qualquer
aliança com eles. Os adversários procuram continuamente enfraquecer
e desanimar os judeus e frustrar a sua obra, desde o reinado de Ciro até
o de Dario. Finalmente, nos dias de “Artaxerxes” (Bardiia ou possivelmente
um mago conhecido como Gaumata, 522 a.C.), conseguem forçar a paralisação
da obra por ordem real. Esta proscrição continua “até
o segundo ano do reinado de Dario, rei da Pérsia” (520 a.C.), mais
de 15 anos depois de se ter lançado o alicerce. 4:4-7, 24.
Deus envia então seus profetas Ageu e Zacarias
para incitar Zorobabel e Jesua, e a construção é empreendida
com renovado zelo. Os adversários se queixam outra vez ao rei, mas
a obra continua com o mesmo vigor. Dario I (Histaspes), depois de mencionar
o decreto original de Ciro, ordena a continuação da obra
sem interferência, e até manda que os opositores forneçam
materiais para facilitar a construção. Com encorajamento
contínuo da parte dos profetas do Senhor, os construtores completam
o templo em menos de cinco anos. Isto se dá no mês de adar
do sexto ano de Dario, a inteira construção levou praticamente
20 anos. (6:14, 15) A casa de Deus é então inaugurada com
grande alegria e com sacrifícios apropriados. Daí, o povo
celebra a Páscoa e passa a realizar “com alegria a festividade dos
pães não fermentados por sete dias”. (6:22) Sim, alegria
e regozijo marcam a dedicação deste segundo templo para o
louvor do Senhor Deus.
Esdras retorna a Jerusalém (7:1-8:36).
Passam-se quase 50 anos, no sétimo ano de Artaxerxes, rei da Pérsia,
(conhecido por Longímano por ter a mão direita mais comprida
do que a esquerda). O rei concede ao destro copista Esdras “tudo o que
solicitou” com respeito a uma viagem para Jerusalém, a fim de prestar
ali mui necessitada ajuda. (7:6) Ao autorizá-lo, o rei incentiva
os judeus a acompanhá-lo, concedendo a Esdras vasos de prata e de
ouro para uso no templo, bem como provisões de trigo, vinho, óleo
e sal. Isenta os sacerdotes e os trabalhadores do templo de pagar impostos.
O rei incumbe Esdras de ensinar o povo, e declara ser ofensa capital qualquer
pessoa deixar de cumprir a lei de Deus e a lei do rei. Agradecendo ao Senhor
esta expressão de sua benevolência por intermédio do
rei, Esdras age imediatamente em cumprimento de sua incumbência.
Neste ponto, Esdras inicia sua narrativa como testemunha
ocular, escrevendo na primeira pessoa. Reúne junto ao rio Aava os
judeus que estão retornando, a fim de dar-lhes instruções
finais, e acrescenta alguns levitas ao grupo de cerca de 1.500 varões
adultos já reunidos. Esdras reconhece os perigos da rota a ser tomada,
mas não pede ao rei uma escolta, receando que isso seja interpretado
como falta de fé no Senhor Deus. Em vez disso, proclama um jejum
e lidera o acampamento em fazer solicitação a Deus. Esta
oração é respondida e a mão do Senhor prova
estar sobre eles durante toda a longa viagem. Assim, conseguem levar seus
tesouros (que equivaleriam hoje a mais de 43 milhões de dólares)
em segurança para a casa do Senhor em Jerusalém. 8:26,
27.
Purificação do sacerdócio
(9:1-10:44). Mas nem tudo correu bem durante os 69 anos em que residiam
no país restaurado. Esdras fica sabendo de condições
perturbadoras, pois o povo, os sacerdotes e os levitas formaram alianças
matrimoniais com os cananeus pagãos. O fiel Esdras fica chocado.
Apresenta o assunto a Deus em oração. O povo confessa seu
erro e pede que Esdras ‘seja forte e aja’. (10:4) Ele providencia que os
judeus despeçam as esposas estrangeiras que tomaram em desobediência
à lei de Deus, e a impureza é eliminada em questão
de uns três meses. 10:10-12, 16, 17.
TIRANDO PROVEITO PARA NOSSOS DIAS
O livro de Esdras é proveitoso, em primeiro
lugar, por mostrar a infalível exatidão com que as profecias
de Deus são cumpridas. Jeremias, que predissera com tanta exatidão
a desolação de Jerusalém, predisse também sua
restauração após 70 anos. (Jer. 29:10) Bem na hora,
Deus mostrou sua benevolência ao trazer o seu povo, um fiel restante,
de volta à Terra da Promessa, a fim de praticar a adoração
verdadeira.
O templo restaurado exaltou novamente a adoração
de Deus entre o seu povo, e permaneceu qual testemunho de que ele abençoa
maravilhosa e misericordiosamente os que se voltam para ele com o desejo
de praticar a adoração verdadeira. Embora lhe faltasse a
glória do templo de Salomão, cumpriu sua finalidade, em harmonia
com a vontade divina. Não constava mais ali o esplendor material.
Era também inferior em tesouros espirituais, faltando-lhe, entre
outras coisas, a arca do pacto. Tampouco foi a inauguração
do templo de Zorobabel comparável à inauguração
do templo dos dias de Salomão. Os sacrifícios de touros e
ovelhas não representaram nem um por cento dos sacrifícios
oferecidos no templo de Salomão. Nenhuma glória semelhante
a nuvens encheu a casa posterior, como se deu na anterior, tampouco desceu
fogo da parte de Deus para consumir as ofertas queimadas. Ambos os templos,
porém, serviram ao importante propósito de exaltar a adoração
do Senhor, o verdadeiro Deus.
O templo construído por Zorobabel, o tabernáculo
construído por Moisés, e os templos construídos por
Salomão e por Herodes, junto com suas particularidades, eram prefigurativos
ou representativos. Representavam a “verdadeira tenda, que Deus erigiu,
e não algum homem”. (Heb. 8:2) Este templo espiritual é o
arranjo para se chegar a Deus em adoração à base do
sacrifício propiciatório de Cristo. (Heb. 9:2-10, 23) O grande
templo espiritual é superlativo em glória e incomparável
em beleza e agradabilidade; seu esplendor é imarcescível
e superior ao de qualquer estrutura material.
O livro de Esdras contém lições
que são do mais alto valor para os cristãos hoje. Lemos nele
sobre o povo de Deus fazer ofertas voluntárias para a Sua obra.
(Esd 2:68; 2 Cor. 9:7) Somos encorajados por aprendermos sobre a provisão
infalível e a bênção de Deus sobre as assembléias
para o Seu louvor. (Esd. 6:16, 22) Vemos o excelente exemplo dos netineus
e de outros crentes estrangeiros, ao acompanharem o restante para apoiar
de todo o coração a adoração do Senhor. (2:43,
55) Considere também o humilde arrependimento do povo quando aconselhado
sobre seu proceder errado de formar alianças matrimoniais com vizinhos
pagãos. (10:2-4) Más associações acarretaram
a desaprovação divina. (9:14, 15) O zelo alegre pela sua
obra resultou em sua aprovação e bênção.
6:14, 21, 22.
Embora não mais houvesse um rei sentado
no trono de Deus em Jerusalém, a restauração suscitou
a expectativa de que Deus, no devido tempo, produziria seu prometido Rei
da linhagem de Davi. A nação restaurada estava agora em condições
de guardar as pronunciações sagradas e a adoração
do Senhor Deus até o tempo do aparecimento do Messias. Se este restante
não tivesse agido com fé, no que tange a retornar à
sua terra, a quem viria o Messias? Deveras, os eventos do livro de Esdras
são parte importante da história que conduz ao aparecimento
do Messias e Rei! É de máximo proveito para o nosso estudo
hoje.
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