|
Escritor: Incerto
Os israelitas, acampados nas planícies de Moabe, estão prontos para entrar em Canaã, a Terra Prometida. O território do outro lado do Jordão é habitado por grande número de pequenos reinos, que possuem cada qual um exército. Estes reinos estão divididos entre si e enfraquecidos em razão dos muitos anos em que o Egito os dominou de modo corrupto. Contudo, para a nação de Israel, a oposição é forte. Se o país há de ser subjugado, será preciso tomar as muitas cidades fortificadas, tais como Jericó, Ai, Hazor e Laquis. Tempos difíceis estão à frente. É preciso travar e ganhar batalhas decisivas, com a ajuda do próprio Deus que realizará grandes milagres para seu povo, a fim de cumprir a sua promessa de o estabelecer nessa terra. Incontestavelmente, estes acontecimentos extraordinários, tão notáveis nos tratos de Deus com o seu povo, têm de ser assentados por escrito, e isso por uma testemunha ocular. Que homem poderia ser melhor para isso do que o próprio Josué, aquele que Deus designara qual sucessor de Moisés? — Núm. 27:15-23. Deus escolheu Josué como líder dos acontecimentos prestes a ocorrer. Durante os 40 anos passados no ermo, ele foi íntimo colaborador de Moisés. Tem sido “ministro de Moisés desde a sua idade viril”, o que mostra sua aptidão como líder espiritual e líder militar. (Núm. 11:28; Êxo. 24:13; 33:11; Jos. 1:1) Quando Israel saiu do Egito, Josué era capitão dos exércitos de Israel, quando este derrotou os amalequitas. (Êxo. 17:9-14) Na qualidade de companheiro leal de Moisés e valente comandante do exército, era a escolha lógica para representar a tribo de Efraim, quando se escolheu um homem de cada tribo para a perigosa missão de espiar Canaã. A coragem e fidelidade que demonstrou nessa ocasião lhe asseguraram a entrada na Terra Prometida. (Núm. 13:8; 14:6-9, 30, 38) Sim, este Josué, filho de Num, é um “homem em quem há espírito”; um homem que ‘seguiu a Deus integralmente’, um homem “cheio do Espírito de sabedoria”. Não é de admirar que “Israel continuou a servir a Deus todos os dias de Josué”. — Núm. 27:18; 32:12; Deut. 34:9; Jos. 24:31. Josué não
é personagem lendário, mas um servo de Deus, que realmente
existiu. Seu nome é mencionado nas Escrituras Gregas Cristãs.
(Atos 7:45; Heb. 4:8) É lógico dizer que, assim como Moisés
foi usado para escrever sobre os eventos dos seus dias, seu sucessor, Josué,
seria usado para escrever os acontecimentos que ele próprio presenciou.
Que o livro foi escrito por alguém que presenciou os eventos, demonstra-se
em Josué 6:25. A tradição judaica atribui a escrita
a Josué, e o próprio livro declara: “Então escreveu
Josué estas palavras no livro da lei de Deus.” — Jos. 24:26.
CONTEÚDO DE JOSUÉ O livro se divide de forma natural em quatro partes: (1) a entrada na Terra Prometida, (2) a conquista de Canaã, (3) a distribuição do país e (4) as exortações de despedida de Josué. O relato inteiro é feito de modo vívido e está cheio de episódios dramáticos. A entrada na Terra Prometida (Josué 1:1–5:12). Sabendo de antemão as provações à frente, Deus de início encoraja a Josué e lhe dá bom conselho: “Somente sê corajoso e muito forte . . . Este livro da lei não se deve afastar da tua boca e tu o tens de ler em voz baixa dia e noite, para cuidar em fazer segundo tudo o que está escrito nele; pois então farás bem sucedido o teu caminho e então agirás sabiamente. Não te dei ordem? Sê corajoso e forte . . . pois o Senhor, teu Deus, está contigo onde quer que andares.” (1:7-9) Josué atribui o crédito a Deus como o verdadeiro Líder e Comandante, e passa imediatamente a fazer os preparativos para a travessia do Jordão, segundo a ordem de Deus. Os israelitas o reconhecem como sucessor de Moisés e juram-lhe lealdade. Avante, pois, para a conquista de Canaã! Dois homens são enviados para fazer reconhecimento de Jericó. Raabe, a meretriz, aproveita a oportunidade para mostrar sua fé em Deus, escondendo os espias e arriscando sua própria vida. Em troca, os espias juram que ela será poupada quando Jericó for destruída. Os espias retornam trazendo a informação de que todos os habitantes do país estão desalentados por causa dos israelitas. Sendo favorável o relatório, Josué avança imediatamente em direção ao rio Jordão, que se acha na época da cheia. É então que Deus dá uma prova tangível de que sustém a Josué e de que, assim como no tempo de Moisés, há um “Deus vivente” no meio de Israel. (3:10) No momento em que os sacerdotes que carregam a arca do pacto põem os pés nas águas do Jordão, as águas a montante se encapelam, permitindo que os israelitas atravessem a pé enxuto. Josué toma 12 pedras do meio do rio como memorial, e coloca outras 12 pedras dentro do rio, onde os sacerdotes se acham de pé, após o que os sacerdotes atravessam o rio, e as águas retornam à cheia. Tendo atravessado o rio, o povo acampa em Gilgal, entre o Jordão e Jericó, e ali Josué coloca as pedras memoriais como testemunho para as gerações futuras, ‘para que todos os povos da terra conheçam a mão de Deus, que ela é forte; a fim de que deveras temais ao Senhor, vosso Deus, para sempre’. (4:24) (Josué 10:15 indica que, depois disso, Gilgal foi usado, talvez, como acampamento de base por um bom tempo.) É aqui que os filhos de Israel são circuncidados, pois não havia sido praticada a circuncisão durante a jornada no ermo. Celebra-se a Páscoa, cessa o maná e finalmente os israelitas começam a comer dos produtos da terra. A conquista de Canaã (5:13–12:24). Agora, o primeiro objetivo se acha ao alcance deles. Mas como tomar esta “rigorosamente fechada”, murada, cidade de Jericó? (6:1) O próprio Deus dá os pormenores do proceder a seguir, enviando o “príncipe do exército de Deus” para instruir a Josué. (5:14) Uma vez por dia, durante seis dias, os exércitos de Israel devem marchar em volta da cidade, estando à testa os guerreiros, seguidos dos sacerdotes que tocam as buzinas de corno de carneiro e de outros que carregam a arca do pacto. No sétimo dia, precisam fazer a volta sete vezes. Josué transmite fielmente as ordens ao povo. Exatamente como se lhes ordenou, os exércitos marcham em volta de Jericó. Não se profere nenhuma palavra. Não se ouve senão o barulho surdo de passos e o toque das buzinas pelos sacerdotes. Daí, no último dia, depois de se completar a sétima volta, Josué lhes dá o sinal para gritarem. Eles dão “um grande grito de guerra”, e as muralhas de Jericó ruem! (6:20) Todos juntos, lançam-se sobre a cidade, capturando-a e devotando-a à destruição pelo fogo. Somente a fiel Raabe e sua família são poupadas. Agora rumo ao oeste, para
Ai! A certeza de outra vitória fácil se transforma em terror,
quando os homens de Ai desbaratam os 3.000 soldados israelitas enviados
para capturar a cidade. O que acontecera? Será que Deus abandonara
seu povo? Inquieto, Josué consulta a Deus. Deus revela que, contrário
à sua ordem de destruir tudo o que havia em Jericó, alguém
no acampamento desobedeceu, roubando algo e escondendo-o. Essa impureza
precisa ser removida do acampamento antes que Israel possa continuar a
prosperar com a bênção de Deus. Sob a orientação
divina, Acã, o malfeitor, é descoberto, e ele e sua família
são mortos a pedradas. Restabelecido o favor de Deus, os israelitas
avançam contra Ai. O próprio Deus revela mais uma vez a estratégia
a usar. Os homens de Ai são engodados a sair de sua cidade murada
e descobrem que estão encurralados numa emboscada. A cidade é
capturada e destruída, com todos os seus habitantes. (8:26-28) Não
há transigência com o inimigo!
Diversos dos pequenos reinos de Canaã, alarmados com o progresso rápido da invasão, se unem no esforço de impedir o avanço de Josué. Mas, ‘os habitantes de Gibeão, ouvindo o que Josué havia feito a Jericó e a Ai, agem com astúcia’. (Jos. 9:3, 4) Fingem ser de um país distante de Canaã, e fazem um pacto com Josué “para deixá-los viver”. Quando os israelitas descobrem o ardil, respeitam o pacto, mas fazem dos gibeonitas “ajuntadores de lenha e tiradores de água”, quais ‘escravos mais baixos’, cumprindo-se assim em parte a maldição que Noé, sob inspiração divina, pronunciara contra Canaã, filho de Cã. — Jos. 9:15, 27; Gên. 9:25. Essa deserção dos gibeonitas não é coisa insignificante, pois “Gibeão era uma cidade grande . . . maior do que Ai, e todos os seus homens eram poderosos”. (Jos. 10:2) Adoni-Zedeque, rei de Jerusalém, vê nisso uma ameaça contra si mesmo e contra os demais reinos de Canaã. Tem de ser punido para servir de exemplo, a fim de que não haja mais deserção para o lado do inimigo. Portanto, Adoni-Zedeque e outros quatro reis (das cidades-reinos de Hébron, Jarmute, Laquis e Eglom) se organizam e guerreiam contra Gibeão. Josué, fiel a seu pacto com os gibeonitas, marcha a noite inteira para ir em socorro deles, e desbarata os exércitos dos cinco reis. Mais uma vez, Deus luta pelo seu povo, empregando poderes e sinais sobre-humanos, com resultados devastadores. Grandes pedras de saraiva caem do céu, matando mais inimigos do que as espadas do exército israelita. Daí, maravilha das maravilhas, ‘o sol fica parado no meio dos céus e não tem pressa em pôr-se por cerca de um dia inteiro’. (10:13) Assim, podem ser completadas as operações de limpeza. Os sábios do mundo talvez tentem desacreditar este acontecimento miraculoso, mas os homens de fé aceitam o relato divino, bem cientes do poder de Deus de controlar as forças do universo e de dirigi-las segundo a Sua vontade. Pois, com efeito, “o próprio Deus lutava por Israel”. — 10:14. Josué, depois de matar os cinco reis, destrói a Maquedá. Indo rapidamente para o sul, destrói completamente a Libna, Laquis, Eglom, Hébron e Debir, cidades situadas nas montanhas e colinas entre o mar Salgado e o Grande Mar. As notícias sobre a invasão espalham-se então por todo o país de Canaã. No Norte, o alarme é dado por Jabim, rei de Hazor. A toda a parte, a ambos os lados do Jordão, ele envia mensageiros para convocar uma ação unida em massa contra os israelitas. Quando as forças reunidas do inimigo se acampam junto às águas de Merom, abaixo do monte Hermom, são uma “multidão como os grãos de areia que há à beira do mar”. (11:4) Novamente Deus assegura a Josué a vitória e fornece o plano da estratégia da batalha. Qual o resultado? Mais uma derrota esmagadora para os inimigos do povo de Deus! Hazor é incendiada, e as cidades aliadas e seus reis são destruídos. Assim, Josué estende a área da dominação israelita por todo o comprimento e por toda a largura de Canaã. Trinta e um reis foram derrotados. A distribuição
do país (13:1–22:34). Apesar dessas muitas vitórias,
destruição das muitas cidades principais fortificadas e fim
da resistência organizada por algum tempo, “em uma parte muito grande
ainda resta de se tomar posse do país”. (13:1) Mas, Josué
já está com quase 80 anos, e outro trabalho grande ainda
resta a fazer — o da distribuição do país por herança
entre nove tribos inteiras e a meia tribo de Manassés. Rubem, Gade
e metade da tribo de Manassés já receberam a sua herança
ao leste do Jordão, e a tribo de Levi não receberá
nenhuma, sendo a sua herança “o Senhor Deus, o Deus de Israel”.
(13:33) Com a ajuda do sacerdote Eleazar, Josué faz então
as designações do lado oeste do Jordão. Calebe, com
85 anos de idade, sempre com o mesmo zelo para lutar contra os inimigos
de Deus até o fim, solicita Hébron, uma região infestada
de anaquins, o que lhe é concedido. (14:12-15) Depois de as tribos
receberem as suas heranças por sorte, Josué solicita a cidade
de Timnate-Sera, nos montes de Efraim, e isto lhe é concedido “por
ordem de Deus”. (19:50) A tenda da reunião é armada em Silo,
que também fica na região montanhosa de Efraim.
Exortações
de despedida de Josué (23:1–24:33). ‘E sucede, muitos dias depois
de Deus ter dado a Israel descanso de todos os seus inimigos ao redor,
sendo Josué já idoso e avançado em dias’, que ele
convoca todo o Israel para dar inspiradas exortações de despedida.
(23:1) Humilde até o fim, ele atribui a Deus todo o crédito
das grandes vitórias sobre as nações. Que todos continuem
agora a ser fiéis! “Tendes de ser muito corajosos para guardar e
fazer tudo o que está escrito no livro da lei de Moisés,
nunca vos desviando dele nem para a direita nem para a esquerda.” (23:6)
Precisam evitar os deuses falsos, e ‘guardar constantemente as suas almas,
amando ao Senhor, seu Deus’. (23:11) Não pode haver transigência
com os cananeus remanescentes ali, nem casamento nem alianças de
interconfessionalismo com eles, pois isto provocaria a ira ardente de Deus
contra eles.
POR QUE É PROVEITOSO Ao ler as exortações
de despedida de Josué relativas ao serviço fiel, não
vibra seu coração? Não endossa as palavras que Josué
proferiu há mais de 3.400 anos: “Quanto a mim e aos da minha casa,
serviremos a Deus”? Ou, se estiver servindo a Deus em condições
difíceis ou isolado de outros fiéis, não se sente
inspirado com as palavras de Deus dirigidas a Josué no início
da marcha para a Terra da Promessa: “Sê corajoso e muito forte”?
Além do mais, não acha que é de inestimável
proveito seguir o Seu conselho de ‘ler [a Bíblia] em voz baixa,
dia e noite, para fazer bem sucedido o seu caminho’? Certamente, todos
os que seguem estes conselhos sábios os acharão notavelmente
proveitosos. — 24:15; 1:7-9.
Apontam os acontecimentos narrados no livro de Josué para o Reino de Deus? Certamente que sim! Que a conquista e o povoamento da Terra Prometida têm a ver com algo de muito maior importância, foi indicado pelo autor da carta aos hebreus, que disse: “Pois, se Josué os tivesse conduzido a um lugar de descanso, Deus não teria depois falado de outro dia. De modo que resta um descanso sabático para o povo de Deus.” (Heb. 4:1, 8, 9) Eles fazem empenho para assegurar a sua “entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. (2Ped.1:10,11) Segundo indicado em Mateus 1:5, Raabe se tornou uma antepassada de Jesus Cristo. O livro de Josué fornece, pois, na narrativa, outro elo importante que conduz à produção da Semente do Reino. Esse livro dá a firme segurança de que as promessas do Reino de Deus se cumprirão ao pé da letra. Falando da promessa de Deus feita a Abraão, a Isaque e a Jacó, e a seus descendentes, os israelitas, o relato diz concernente aos dias de Josué: “Não falhou nem uma única de todas as boas promessas que Deus fizera à casa de Israel; tudo se cumpriu.” (Jos. 21:45; Gên. 13:14-17) O mesmo se dá com a “boa promessa” de Deus relativa ao justo Reino dos céus — tudo se cumprirá! |