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Escritor: Neemias
Neemias, cujo nome significa “Deus Consola”, era servo
judeu do rei persa Artaxerxes (Longímano). Era copeiro do rei. Esta
era uma posição de grande confiança e honra, e desejável,
pois dava acesso ao rei em ocasiões em que este estava de espírito
alegre e disposto a conceder favores. Entretanto, Neemias era um daqueles
fiéis exilados que preferiu Jerusalém acima de qualquer “causa
de alegria” pessoal. (Sal. 137:5, 6) Não era posição
ou riqueza material que ocupava o primeiro lugar nos pensamentos de Neemias,
mas, antes, a restauração da adoração de Deus.
Neemias é, sem dúvida, o escritor do livro que leva seu nome. A declaração inicial: “As palavras de Neemias, filho de Hacalias”, e o uso da primeira pessoa no texto provam claramente isto. (Nee. 1:1) Originalmente os livros de Esdras e Neemias eram um só livro, chamado Esdras. Mais tarde, os judeus dividiram o livro em Primeiro e Segundo Esdras, e ainda mais tarde, Segundo Esdras veio a ser conhecido como Neemias. Há um intervalo de cerca de 12 anos entre os eventos finais de Esdras e os eventos iniciais de Neemias, cuja história abrange então o período do fim de 456 a.C. até depois de 443 a.C.. — Neemias 1:1; 5:14; 13:6. O livro de Neemias se harmoniza com o restante da
Escritura inspirada, da qual faz legitimamente parte. Contém numerosas
alusões à Lei, fazendo menção de assuntos tais
como alianças matrimoniais com estrangeiros (Deut. 7:3; Nee. 10:30),
empréstimos (Lev. 25:35-38; Deut. 15:7-11; Nee. 5:2-11) e a Festividade
das Barracas (Deut. 31:10-13; Nee. 8:14-18). Ademais, o livro marca o início
do cumprimento da profecia de Daniel de que Jerusalém seria reconstruída,
mas não sem oposição, “no aperto dos tempos”. — Dan.
9:25.
CONTEÚDO DE NEEMIAS Neemias é enviado a Jerusalém (1:1–2:20). Neemias fica grandemente perturbado com o relato de Hanani, que retornou a Susã, vindo de Jerusalém, trazendo notícias sobre os grandes apuros dos judeus ali, e sobre o estado derrocado da muralha e dos portões. Ele jejua e ora ao Senhor como o “Deus dos céus, o Deus grande e atemorizante, guardando o pacto e a benevolência para com os que o amam e que guardam os seus mandamentos”. (1:5) Confessa os pecados de Israel e pede que Deus se lembre do Seu povo por causa do Seu nome, assim como prometera a Moisés. (Deut. 30:1-10) Quando o rei pergunta a Neemias sobre o motivo de seu semblante triste, Neemias lhe conta sobre a condição de Jerusalém e pede permissão para voltar e reconstruir a cidade e sua muralha. Seu pedido é concedido, e ele viaja imediatamente a Jerusalém. Após uma inspeção noturna da muralha da cidade, para se familiarizar com o trabalho à frente, revela seu plano aos judeus, frisando a mão de Deus no assunto. Diante disso, dizem: “Levantemo-nos, e temos de construir.” (Nee. 2:18) Quando os vizinhos samaritanos e outros ficam sabendo que o trabalho foi iniciado, começam a zombar e escarnecer. A muralha reconstruída (3:1–6:19).
O trabalho na muralha começa no terceiro dia do quinto mês,
participando unidamente na labuta os sacerdotes, os príncipes e
o povo. Os portões da cidade e as muralhas entre estes são
consertados rapidamente. Sambalá, o horonita, escarnece: “Que fazem
estes judeus decrépitos? . . . Acabarão num dia?” A isto,
Tobias, o amonita, acrescenta seu escárnio: “Mesmo aquilo que estão
construindo, se uma raposa subisse contra aquilo, certamente derrocaria
a sua muralha de pedras.” (4:2, 3) Quando a muralha atinge a metade de
sua altura, os adversários associados ficam furiosos e conspiram
vir lutar contra Jerusalém. Mas Neemias exorta os judeus a lembrar-se
de “Deus, o Grande e o Atemorizante”, e a lutar por suas famílias
e por seus lares. (4:14) O trabalho é reorganizado de modo a enfrentar
a situação tensa; alguns ficam de guarda com lanças,
ao passo que outros trabalham com a espada sobre o quadril.4:18
Instruindo o povo (7:1–12:26). Há
bem poucas pessoas e casas na cidade, porque a maioria dos israelitas reside
fora, segundo suas heranças tribais. Deus orienta Neemias a reunir
os nobres e todo o povo, a fim de registrá-los genealogicamente.
Ao fazer isso, consulta o registro dos que voltaram de Babilônia.
Convoca-se, a seguir, uma assembléia de oito dias na praça
pública, junto ao Portão das Águas. Esdras inicia
o programa, de pé num estrado de madeira. Bendiz a Deus e daí
lê o livro da Lei de Moisés, desde o amanhecer até
o meio-dia. É habilmente assistido por outros levitas, que explicam
a Lei ao povo e continuam ‘a ler alto no livro, na Lei do verdadeiro Deus,
fornecendo-se esclarecimento e dando-se o sentido dela; e continuam a tornar
a leitura compreensível’. (8:8) Neemias exorta o povo a festejar
e a se regozijar, e a apreciar a força das palavras: “O regozijo
do Senhor Deus é o vosso baluarte.” — 8:10.
A dedicação da muralha (12:27–13:3). A dedicação da recém-construída muralha é um tempo de canto e felicidade. É ocasião de outra assembléia. Neemias providencia dois grandes coros de agradecimento e procissões para andarem sobre a muralha em direções opostas, encontrando-se finalmente para oferecer sacrifícios na casa de Deus. Fazem-se arranjos para contribuições materiais para o sustento dos sacerdotes e dos levitas no templo. Uma leitura adicional da Bíblia revela que os amonitas e os moabitas não devem ter permissão de entrar na congregação, e, assim, começam a separar toda a mistura de gente de Israel. Purificação da impureza (13:4-31).
Depois de passar algum tempo em Babilônia, Neemias retorna a Jerusalém
e descobre que se infiltraram entre os judeus novos atos condenáveis.
Quão rapidamente as coisas mudaram! O sumo sacerdote Eliasibe chega
a fazer um refeitório no pátio do templo para o uso de Tobias,
um amonita, um dos inimigos de Deus. Neemias não perde tempo. Lança
fora a mobília de Tobias e manda purificar todos os refeitórios.
Descobre também que as contribuições materiais para
os levitas foram descontinuadas, de modo que eles estão saindo de
Jerusalém para ganhar a vida. Grassa o comercialismo na cidade.
O sábado não é guardado. Neemias lhes diz: “Acrescentais
à ira ardente contra Israel, profanando o sábado.” (13:18)
Ele fecha os portões da cidade no sábado para manter fora
os negociantes, e ordena-lhes que fiquem longe da muralha da cidade. Mas
há um mal pior do que este, algo que haviam concordado solenemente
em não fazer de novo. Trouxeram esposas estrangeiras, pagãs,
para dentro da cidade. Já a prole de tais uniões não
mais fala o idioma judaico. Neemias lhes faz lembrar que Salomão
pecou por causa de esposas estrangeiras. Devido a este pecado, Neemias
manda embora o neto de Eliasibe, o sumo sacerdote. Daí, organiza
o sacerdócio e o trabalho dos levitas.
TIRANDO PROVEITO PARA OS NOSSOS DIAS A devoção piedosa de Neemias deve
servir de inspiração para todos os que amam a adoração
correta. Ele abandonou uma posição favorecida para se tornar
humilde superintendente entre o povo de Deus. Recusou até mesmo
a contribuição material a que tinha direito, e condenou terminantemente
o materialismo como um laço. Seguir e guardar zelosamente a adoração
de Deus foi o que Neemias advogou para a inteira nação. (5:14,
15; 13:10-13) Neemias foi um esplêndido exemplo para nós por
ser inteiramente altruísta e discreto, um homem de ação,
destemido em favor da justiça em face do perigo. (4:14, 19, 20;
6:3, 15) Tinha o correto temor de Deus e estava interessado em edificar
seus conservos na fé. (13:14; 8:9) Aplicou vigorosamente a lei de
Deus, especialmente no que tange à adoração verdadeira
e à rejeição de influências estrangeiras, tais
como os casamentos com pagãos. — 13:8, 23-29.
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