|
Escritor: Salomão.
O Livro de Eclesiastes foi escrito com um objetivo elevado.
Na qualidade de líder de um povo dedicado a Deus, Salomão
tinha a responsabilidade de manter este povo coeso em fidelidade à
sua dedicação. Ele procurou cumprir essa responsabilidade
por meio dos conselhos sábios contidos em Eclesiastes.
Embora não se diga especificamente que Salomão
foi o escritor, diversas passagens são bem conclusivas neste sentido.
O congregante se apresenta como “filho de Davi”, que ‘veio a ser rei sobre
Israel, em Jerusalém’. Isto só se poderia aplicar ao Rei
Salomão, pois os seus sucessores, em Jerusalém, reinaram
apenas sobre Judá. Além disso, conforme o congregante escreve:
“Eu mesmo aumentei grandemente em sabedoria, mais do que qualquer outro
que veio a estar antes de mim em Jerusalém, e meu próprio
coração tem visto muita sabedoria e conhecimento.” (1:1,
12, 16) Isto se ajusta a Salomão. Eclesiastes 12:9 diz-nos que ele
“ponderou e fez uma investigação cabal, a fim de pôr
em ordem muitos provérbios”. O Rei Salomão proferiu 3.000
provérbios. (1Reis4:32) Eclesiastes 2:4-9 fala do programa de construção
do escritor; de seus vinhedos, dos jardins e parques; do sistema de irrigação;
de ter adquirido servos e servas; de ter acumulado prata e ouro e de outras
consecuções. Tudo isto Salomão fez. Quando a rainha
de Sabá viu a sabedoria e a prosperidade de Salomão, ela
disse: “Não se me contou nem a metade.” — 1 Reis 10:7.
Como podemos ter certeza de que Eclesiastes é ‘inspirado por Deus’?. Sem a mínima dúvida, defende a verdadeira adoração de Deus, encontramos ali repetidas vezes a expressão ha·´Elo·hím, “o verdadeiro Deus”. Objeção talvez seja levantada, dizendo-se que não há citações diretas de Eclesiastes nos outros livros da Bíblia. Contudo, os ensinamentos apresentados e os princípios expressos no livro estão em perfeita harmonia com o resto das Escrituras. Eis o que declara o Commentary de Clarke, Volume III, página 799: “O livro, intitulado Koheleth, ou Eclesiastes, foi sempre aceito, tanto pela igreja judaica como pela cristã, como tendo sido escrito sob inspiração do Todo-poderoso; e foi considerado devidamente parte do cânon sagrado.” Os “altos críticos”, sábios segundo
este mundo, afirmam que Eclesiastes não foi escrito por Salomão,
e que não faz parte genuína de “toda a Escritura”, dizendo
que sua linguagem e filosofia pertencem a uma época posterior. Eles
ignoram o fundo de informações que Salomão pôde
acumular graças ao desenvolvimento progressivo de seu comércio
internacional e de sua indústria, bem como por meio de dignitários
viajantes e outros contatos com o mundo exterior. (1 Reis 4:30, 34; 9:26-28;
10:1, 23, 24) Conforme escreve F. C. Cook no seu Bible Commentary (Comentário
da Bíblia), Volume IV, página 622: “As ocupações
diárias e os empreendimentos preferidos do grande rei hebreu certamente
o levaram muito além da esfera da vida, do pensamento e da linguagem
comuns dos hebreus.”
CONTEÚDO DE ECLESIASTES A futilidade do modo de vida do homem (1:1–3:22). As primeiras palavras ressoam o tema do livro: “‘A maior das vaidades’, disse o congregante, ‘a maior das vaidades! Tudo é vaidade!’” Que proveito tira o homem de toda a luta e labuta em que se empenha? Gerações vêm e vão, os ciclos naturais seguem seu curso na terra, e “não há nada de novo debaixo do sol”. (1:2, 3, 9) O congregante pôs o coração a buscar e perscrutar a sabedoria, no tocante às calamitosas atividades dos filhos dos homens, mas constata que, na sabedoria e na estultícia, nos empreendimentos e no trabalho árduo, no comer e no beber, tudo é “vaidade e um esforço para alcançar o vento”. Ele chega a ‘odiar a vida’, a vida cheia de calamidades e de empreendimentos materialistas. — 1:14; 2:11, 17. Para tudo há um tempo designado — sim, Deus fez tudo “bonito no seu tempo”. Ele deseja que suas criaturas desfrutem a vida sobre a terra. “Vim saber que não há nada melhor para eles do que alegrar-se e fazer o bem durante a sua vida; e também que todo homem coma e deveras beba, e veja o que é bom por todo o seu trabalho árduo. É a dádiva de Deus.” Mas, infelizmente, para o homem pecador e para o animal há o mesmo evento conseqüente: “Como morre um, assim morre o outro; e todos eles têm apenas um só espírito, de modo que não há nenhuma superioridade do homem sobre o animal, pois tudo é vaidade.” — 3:1, 11-13, 19. Conselhos sábios para os que temem a Deus
(4:1–7:29). Salomão congratula os mortos, porque estão
livres de “todos os atos de opressão que se praticam debaixo do
sol”. Daí, continua a descrever as obras vãs e calamitosas.
Ele aconselha também de modo sábio, dizendo que é
“melhor dois do que um” e que o “cordão tríplice não
pode ser prontamente rompido em dois”. (4:1, 2, 9, 12) Ele dá bons
conselhos ao povo de Deus, ao se congregar: ‘Guarde os seus pés,
sempre que for à casa do verdadeiro Deus; e haja um achegamento
para ouvir.’ Não seja precipitado em falar diante de Deus; ‘as suas
palavras devem mostrar ser poucas’, e pague o que vota a Deus. ‘Tema o
próprio verdadeiro Deus.’ Quando os pobres são oprimidos,
lembre-se de que “alguém que é mais alto do que o alto está
vigiando, e há os que estão alto por cima deles”. O simples
servo, observa ele, terá sono doce, mas o rico está preocupado
demais para poder dormir. Contudo, nu ele veio ao mundo, e, apesar de todo
o seu trabalho árduo, não pode levar nada do mundo. — 5:1,
2, 4, 7, 8, 12, 15.
O mesmo evento conseqüente para todos (8:1–9:12). “Guarda a própria ordem do rei”, aconselha o congregante, mas ele observa que, visto que a sentença contra o trabalho mau não é executada prontamente, “o coração dos filhos dos homens ficou neles plenamente determinado a fazer o mal”. (8:2, 11) Ele próprio gaba a alegria, mas há outra coisa calamitosa! Toda sorte de homens segue o mesmo caminho — para a morte! Os vivos estão cônscios de que morrerão, os “mortos, porém, não estão cônscios de absolutamente nada . . . Tudo o que a tua mão achar para fazer, faze-o com o próprio poder que tens, pois não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria no Seol, o lugar para onde vais.” — 9:5, 10. A sabedoria prática e a obrigação do homem (9:13–12:14). O congregante cita outras calamidades, como a “estultícia . . . em muitas posições elevadas”. Apresenta também muitos provérbios de sabedoria prática, e declara que mesmo “a juventude e o primor da mocidade são vaidade”, a menos que se acate a verdadeira sabedoria. Ele declara: “Lembra-te, pois, do teu Grandioso Criador nos dias da tua idade viril.” De outra forma, a velhice resultará meramente em a pessoa retornar ao pó da terra, isto acompanhado das palavras do congregante: “A maior das vaidades! . . . Tudo é vaidade.” Ele próprio sempre ensinou ao povo o conhecimento, pois “as palavras dos sábios são como aguilhadas”, impelindo a obras corretas, mas, quanto à sabedoria do mundo, ele adverte: “De se fazer muitos livros não há fim, e muita devoção a eles é fadiga para a carne.” Daí, o congregante leva o livro ao seu grandioso clímax, fazendo um resumo de tudo o que considerou sobre a vaidade e sobre a sabedoria: “A conclusão do assunto, tudo tendo sido ouvido, é: Teme o verdadeiro Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda a obrigação do homem. Pois o próprio verdadeiro Deus levará toda sorte de trabalho a julgamento com relação a toda coisa oculta, quanto a se é bom ou mau.” — 10:6; 11:1, 10; 12:1, 8-14. PROVEITOSO PARA OS NOSSOS DIAS: Longe de ser um livro pessimista, Eclesiastes está cravejado de brilhantes gemas de sabedoria divina. Quando Salomão enumera as muitas consecuções que ele chama de vaidade, não inclui a construção do templo de Deus, sobre o monte Moriá, em Jerusalém, nem a adoração pura de Deus. Tampouco diz que a vida, que é uma dádiva de Deus, seja vaidade; ao contrário, mostra que o objetivo era que o homem se regozijasse e fizesse o bem. (3:12, 13; 5:18-20; 8:15) As atividades calamitosas são as que não levam em conta a Deus. Um pai pode ajuntar riquezas para seu filho, mas um desastre destrói tudo e nada lhe resta. Seria muito melhor providenciar uma herança duradoura de riquezas espirituais. É calamitoso possuir uma abundância e não poder usufruí-la. A calamidade sobrevém a todos os ricos do mundo quando ‘se vão’, de mãos vazias, na morte. — 5:13-15; 6:1, 2. Em Mateus 12:42, Cristo Jesus se referiu a si mesmo
como “algo maior do que Salomão”. Visto que Salomão prefigurou
a Jesus, podemos dizer que as palavras de Salomão, contidas no livro
Qo·hé·leth, estão em harmonia com os ensinamentos
de Jesus? Encontramos muitos paralelos! Por exemplo, Jesus sublinhou o
grande alcance da obra de Deus, ao dizer: “Meu Pai tem estado trabalhando
até agora e eu estou trabalhando.” (João 5:17) Salomão
falou igualmente das obras de Deus: “E eu vi todo o trabalho do verdadeiro
Deus, que a humanidade não é capaz de descobrir o trabalho
que se fez debaixo do sol; por mais que a humanidade trabalhe arduamente
para procurar, ainda assim não o descobre. E mesmo que dissessem
que são bastante sábios para saber, não seriam capazes
de o descobrir.” — Ecl. 8:17.
Acima de tudo, Jesus e seus discípulos se unem a Salomão para avisar sobre as armadilhas do materialismo. A sabedoria é a verdadeira proteção, pois “preserva vivos os que a possuem”, diz Salomão. Jesus diz: “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justiça, e todas estas outras coisas vos serão acrescentadas”. (Ecl. 7:12; Mat. 6:33) Em Eclesiastes 5:10, está escrito: “O mero amante da prata não se fartará de prata, nem o amante da opulência, da renda. Também isto é vaidade.” Paulo nos dá um conselho bem similar, ao dizer, em 1 Timóteo 6:6-19, que “o amor ao dinheiro é raiz de toda sorte de coisas prejudiciais”. Há similares passagens paralelas sobre outros pontos de instrução bíblica. — Ecl. 3:17—Atos 17:31; Ecl. 4:1—Tia. 5:4; Ecl. 5:1, 2—Tia. 1:19; Ecl. 6:12—Tia 4:14; Ecl. 7:20—Rom. 3:23; Ecl. 8:17—Rom. 11:33. O governo do Reino do amado Filho de Deus, Jesus Cristo, que na carne era descendente do sábio Rei Salomão, estabelecerá uma nova sociedade terrestre. (Ap. 21:1-5) O que Salomão escreveu para a orientação de seus súditos no seu reino típico é de interesse vital para todos os que agora depositam a sua esperança no Reino sob Cristo Jesus. Debaixo da dominação deste Reino, a humanidade viverá segundo os mesmos princípios sábios que o congregante apresentou, e se regozijará eternamente com a dádiva divina de uma vida feliz. Agora é tempo de nos congregarmos para a adoração de Deus, a fim de usufruirmos plenamente as alegrias da vida sob o seu Reino. — Ecl. 3:12, 13; 12:13, 14. |