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Livro de Zacarias
Este livro das Escrituras Hebraicas identifica seu escritor
como “Zacarias, filho de Berequias, filho de Ido, o profeta”. (Za 1:1)
Fornece também a base para se determinar o período que abrange
e a data aproximada da sua escrita. O último indicador de tempo
encontrado no livro de Zacarias é o quarto dia de quisleu, no quarto
ano do reinado de Dario. (Zac 7:1) Por conseguinte, este livro não
pode ter sido escrito antes do fim de 518 aC. Visto que foi “no oitavo
mês, no segundo ano de Dario”, que “veio a haver a palavra de Deus
para Zacarias” (1:1), o livro abrange um período de pelo menos dois
anos.
A partir do capítulo 9, o assunto encontrado no
livro de Zacarias parece diferir bastante da primeira seção.
Não se fazem outras referências a anjos e a visões,
nem ao governador Zorobabel e ao sumo sacerdote Josué. Não
há menção da reconstrução do templo,
nem mesmo ocorre o nome de Zacarias. Em vista disso e da natureza das profecias
contidas nos últimos capítulos do livro, diversos críticos
sustentam que esta seção não pode ter sido escrita
por Zacarias. Todavia, deve-se notar que Zacarias, assim como outros profetas,
escreveu segundo inspiração divina e não recebeu todas
as revelações ao mesmo tempo ou da mesma maneira. (2Pe 1:20,
21) Também, as profecias não precisavam enquadrar-se em determinado
conjunto de circunstâncias existentes e englobar o nome do profeta
ou de alguns dos seus contemporâneos, para que o livro inteiro fosse
obra do profeta. Que o livro de Zacarias constitui um conjunto harmonioso,
em vez de consistir em partes separadas e não relacionadas entre
si, registradas por escritores diferentes, evidencia-se nos pensamentos
expressos nele. O livro inteiro destaca que Jerusalém seria restaurada
e que Deus iria em defesa da cidade. Za 1:13-21; 2:4, 5; 8:14-23;
9:11-17; 12:2-6; 14:3-21.
Fundo Histórico. Quando o profeta
Zacarias ouviu as palavras: “A terra inteira está sentada quietamente
e tem sossego.” (Za 1:7, 11) Naquele tempo, Jerusalém não
era fator perturbador para as nações, mas parecia aos observadores
que Deus abandonara a cidade. Embora os alicerces do templo tivessem sido
lançados em 536 aC, a reconstrução fizera pouco progresso,
por causa da oposição dos inimigos, e, por fim, em 522 aC,
foi oficialmente proscrita. (Esd 4:4, 5, 24) Além disso, afligidos
por secas e safras ruins, por terem negligenciado a reconstrução
do templo, os judeus repatriados se viram numa situação muito
difícil. (Ag 1:6, 10, 11) Precisavam de encorajamento para continuar
com a reconstrução apesar de obstáculos montanhescos.
As palavras de Deus, por meio de Zacarias, portanto,
devem ter sido motivo de real consolo e inspiração para eles.
As visões observadas por Zacarias mostravam claramente que era da
vontade divina que Jerusalém e seu templo fossem reconstruídos.
(Za 1:16; cap. 2) O poder das nações que haviam dispersado
Judá seria destroçado. (1:18-21) O sumo sacerdote Josué
obteria uma aparência aceitável perante Deus (3:3-7) e o governador
Zorobabel, com a ajuda do Espírito de Deus, terminaria de reconstruir
o templo. 4:6-9.
Concordância com Outros Livros da Bíblia.
O livro de Zacarias está em plena harmonia com o restante das Escrituras
em identificar Deus como Protetor do seu povo. (Za 2:5; compare isso com
De 33:27; Sal 46:11; 125:2.) Ele recompensa ou pune pessoas ou nações
segundo a atuação delas, e retorna àqueles que, arrependidos,
retornam a ele. (Za 1:2-6; 7:11-14; compare isso com Is 55:6, 7; Je 25:4-11;
Ez 33:11; Mal 3:7; 2Pe 3:9.) Deus requer que aqueles que desejam ter seu
favor falem a verdade e mostrem obediência, justiça, benevolência
e misericórdia. (Za 7:7-10; 8:16, 17; compare isso com De 24:17;
Sal 15:1, 2; 82:3, 4; Pr 12:19; Je 7:5, 6; Ef 4:25.) Não atende
os pedidos de ajuda daqueles que não lhe obedecem. Za 7:13;
compare isso com Is 1:15; La 3:42-44.
Também, similaridades dignas de nota são
prontamente evidentes na comparação de passagens em Zacarias
com outros textos bíblicos. Compare Za 3:2 com Ju 9; Za 4:3,
11-14, com Re 11:4; Za 4:10 com Re 5:6; Za 8:8 com Re 21:3; Za 14:5 com
Ju 14; Za 14:7 com Re 21:25; Za 14:8 com Re 22:1, 17.
Cumprimento de Profecia. O cumprimento de
profecias registradas no livro de Zacarias atesta a sua autenticidade.
O que se sabe sobre a campanha de Alexandre, o Grande, na Síria,
na Fenícia e na Filístia, inclusive sobre a conquista de
Tiro e de Gaza, ajusta-se às palavras de Zacarias 9:1-8, e, portanto,
pode ser entendido como cumprimento desta profecia. Numerosas outras profecias
contidas no livro de Zacarias encontram cumprimento em Cristo Jesus
sua entrada em Jerusalém como rei, “humilde, e montado num jumento”
(Za 9:9; Mt 21:5; Jo 12:15), ser ele traído por “trinta moedas de
prata” (Za 11:12, 13; Mt 26:15; 27:9), a subseqüente dispersão
dos seus discípulos (Za 13:7; Mt 26:31; Mr 14:27), ser Jesus traspassado
com uma lança enquanto na estaca (Za 12:10; Jo 19:34, 37) e seu
papel como Rei-Sacerdote (Za 6:12, 13; He 6:20; 8:1; 10:21).
DESTAQUES DE ZACARIAS
Mensagens proféticas que incentivam
os judeus a retomar a reconstrução do templo, fornecendo
também vislumbres da vinda do Messias e do seu governo como Rei-Sacerdote.
Escrito por Zacarias durante o reinado do
rei persa Dario I, uns 19 anos depois de os primeiros judeus terem voltado
para sua terra, após saírem de Babilônia, em 537 aC.
Convocação ao arrependimento, seguida
por oito visões e uma profecia sobre o “Renovo”. (1:1-6:15)
Primeira visão: Um cavaleiro num cavalo
vermelho, parado com mais três cavaleiros entre as murteiras; a visão
termina com a garantia de que se terá misericórdia com Jerusalém
e que o templo será reconstruído.
Segunda visão: Os quatro chifres que dispersaram
Judá são arremessados para baixo por quatro artífices.
Terceira visão: Um moço com uma
corda de medir prepara-se para medir Jerusalém, mas um anjo prediz
maior crescimento da cidade bem como a proteção de Deus para
ela.
Quarta visão: As vestes imundas do sumo
sacerdote Josué são removidas e substituídas por trajes
de gala.
Quinta visão: Zacarias vê um candelabro
de
ouro com sete lâmpadas supridas de óleo procedente de duas
oliveiras; Zorobabel completará a reconstrução do
templo com a ajuda do Espírito de Deus.
Sexta visão: Um rolo voador representa
a maldição que sai por causa de todos aqueles que furtam
e que juram falsamente em nome de Deus.
Sétima visão: Uma mulher chamada
Iniqüidade é transportada num efa para Sinear.
Oitava visão: Quatro carros saem de entre
dois montes de cobre para percorrer a terra.
O homem chamado Renovo construirá o templo
de Deus e servirá qual rei-sacerdote.
Pergunta sobre a observância de jejuns em comemoração
das calamidades que sobrevieram a Jerusalém. (7:1-8:23)
Calamidades sobrevieram como punição
pela desobediência; jejuar em comemoração delas realmente
não era feito para com Deus.
Jerusalém usufruirá o favor divino;
os anteriores dias de jejum serão transformados em “exultação,
e alegria, e boas épocas festivas”; muitos procedentes das nações
virão a ela em busca do favor de Deus.
Julgamento das nações, profecias messiânicas
e o restabelecimento do povo de Deus. (9:1-14:21)
Muitas cidades e nações sentirão
o julgamento adverso de Deus.
O Rei justo e humilde de Sião entrará
na cidade montado num jumento.
Deus expressa ira contra os falsos pastores.
O povo espalhado de Deus será trazido do
Egito e da Assíria.
Zacarias é chamado para ser pastor; o povo
recebe a oportunidade de pagar pelo trabalho dele, e avalia-o em 30 peças
de prata.
Jerusalém tornar-se-á uma pedra
pesada, que arranhará severamente a todos os que tocarem nela.
Abrir-se-á uma fonte para a purificação
de pecados; o pastor será golpeado e as ovelhas serão espalhadas.
Jerusalém será atacada, mas Deus
guerreará contra os agressores.
Os remanescentes das nações atacantes
celebrarão todo ano a Festividade das Barracas, curvando-se diante
de Deus como Rei.
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